O Ministério Infantil da Igreja Cristã Evangélica Metropolitana promoveu a oficina "Deus fez tudo em mim – uma oficina sobre violência sexual infantil". Baseado no livro homônimo dos autores Justin e Lindsey Holcomb, o evento reuniu famílias para debater a proteção infantojuvenil e reforçar as ações da campanha nacional Maio Laranja, que combate o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Na abertura da programação, o Pastor Ubiracy Lucas endossou a relevância da iniciativa para a comunidade de fé, destacando o papel social e espiritual da instituição: "Ser igreja é cuidar e ser cuidado, e é isso o que o Ministério Infantil está fazendo ao preparar esse momento".
A programação foi dividida em duas partes estratégicas. Na primeira, pais e filhos assistiram juntos à apresentação da obra, conduzida pela líder do Ministério Infantil, Brenda Kauanne. De forma acessível, a líder abordou a perspectiva bíblica da criação do corpo, a metodologia do "Semáforo do Toque" e a diferença entre o que é uma surpresa e o que é um segredo. Na sequência, enquanto as crianças participavam de atividades lúdicas sobre o tema, os adultos participaram de um debate aprofundado conduzido pela psicóloga e professora da Escola Bíblica Dominical (EBD), Milena Negreiro.
Alerta e Conscientização
Durante o debate com os responsáveis, Milena Negreiro contextualizou a importância da data de 18 de maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, instituído em memória ao "Caso Araceli" — e alertou sobre a realidade dos dados estatísticos.
"É dever de todos, pais ou não, proteger as crianças. De acordo com os dados, o agressor raramente é um estranho. Então, o risco, frequentemente, habita nas relações de proximidade e confiança", explicou a psicóloga, que também chamou a atenção para as ameaças digitais. "A violência sexual online acontece de forma implícita, gradual e com base na manipulação.”
Para Deyvid Carvalho, pai que esteve presente na oficina, o momento trouxe aprendizado e senso de responsabilidade: "Ver a forma como as crianças foram ensinadas sobre os limites do próprio corpo, respeito e proteção trouxe uma reflexão muito profunda sobre como precisamos tratar esses assuntos com mais clareza, responsabilidade e amor. Saí desse encontro com a convicção de que a igreja não pode se calar diante desse tema, mas precisa promover conscientização, acolhimento, prevenção e proteção. Foi um momento que me trouxe aprendizado, alerta e também um senso maior de responsabilidade sobre como devemos cuidar das nossas crianças e fortalecer uma verdadeira cultura de proteção em nossa sociedade", afirmou.
Laila Gisele, mãe e professora da EBD, destacou como o processo de sexualização pode acontecer de forma aparentemente inofensiva e cultural, mas que a forma como lidamos com a nudez e a orientação sobre as partes íntimas impacta diretamente a forma as crianças irão perceber a si mesmos e os limites que colocarão. "A palestra também nos trouxe orientações importantes sobre limites, letramento emocional, como lidar com situações difíceis e como abordar esses assuntos em diferentes faixas etárias. Talvez esse assunto pareça óbvio para alguns, mas é na escuta ativa e no diálogo que percebemos o quanto precisamos de momentos como esse para estarmos mais atentos, tanto em relação aos nossos filhos quanto às atitudes que devemos tomar como comunidade”, reforçou.
Já para Lena Ribeiro, que é mãe e avó, é preciso que haja um olhar atento ao comportamento das crianças no dia a dia: "Como é importante aprender os cuidados que precisamos ter, ouvir, dar crédito às palavras dos nossos filhos e não negligenciar as suas emoções. Que esse tema não pare por aqui, mas tenha continuidade, principalmente com base na palavra de Deus".
Texto: Ana Caroline
Projeto: Jornal ICE Metropolitana
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